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Piscinas rápidas, elas existem?

Piscina - 15/03/2013 - 18:46 - Magalí Gacek

Quando começa a temporada de competições, um comentário muito comum entre os atletas é o elogio ou a crítica à "velocidade" da piscina onde acontecerá o evento, seguido de comparações com as demais opções da região.

Foi o que acabou de acontecer por aqui, no Rio de Janeiro. Fim de semana passado, dias 09 e 10/03, tivemos a primeira rodada do circuito de natação máster no Olaria Atlético Clube, tida pelos atletas como uma piscina boa e rápida. Curiosamente, tivemos vários recordes quebrados nessa competição.

Mas... isso existe mesmo?

Curiosos, fomos investigar a questão em um dos nossos livros de cabeceira: "Natação: manual de medicina e ciência do esporte", dos americanos Joel M. Stager e David A. Tanner.

A resposta é um enfático SIM! Existem piscinas, e até raias da mesma piscina, que são "mais rápidas" do que outras. Cinco pontos cruciais são apontados no texto como responsáveis por essa sensação:

. CORRENTES
Filtros de entrada e saída de água instalados em sentidos opostos e na diagonal da piscina, por exemplo, criam uma corrente que pode favorecer ou prejudicar os atletas que competem nas extremidades, principalmente nos 50m livre.

No caso de filtros instalados nas laterais das piscinas, os atletas das raias centrais são favorecidos e os das extremidades empurrados para cima das raias.


. VENTO
Um piscina localizada numa área com vento canalizado e sem a devida proteção, a corrente de ar pode se juntar ao arrasto de onda externo (ou “marola”) gerado pelos nadadores ou até mesmo formar ondas a favor ou contra, dificultando o nado e interferindo no desempenho dos atletas.


. CORDAS DAS RAIAS
Quanto mais largas, menor será o arrasto de onda externo dos demais nadadores.


. PAREDES
Paredes lisas refletem mais ondas que as com ranhura, assim como paredes laterais sem cordas de raia ao lado ou borda baixa (também conhecida como “praia”), que permite que as ondas escoem para fora da piscina, projetam mais arrasto de onda externo.


. PROFUNDIDADE
Uma piscina pode ser tão rasa a ponto de afetar o deslizamento do nadador depois do mergulho ou da virada. Este seria o fator que mais influencia na “velocidade” da piscina e se divide em três pontos:

1. SOLO
O “efeito de solo” é um caso especial de arrasto de interferência, onde há uma alteração na força de arrasto ou de sustentação. A superfície do “solo”, assim como das paredes, também afeta o arrasto. Assim, se uma piscina for muito rasa e o nadador se aproximar demais de seu fundo na largada e nas viradas, é possível que tanto o arrasto resistivo como a sustentação aumentem.

Em piscinas rasas, os nadadores de borboleta podem ser os mais prejudicados, pois se o movimento de perna se aproximar demais do fundo da piscina, poderá haver algum tipo de efeito de solo sobre a propulsão da pernada. Os autores afirmam que, para evitar efeitos de solo durante a pernada do nado de borboleta, seria necessário que a piscina tivesse pelo menos 2m de profundidade.


2. BLOQUEIO
O “bloqueio” ocorre quando um objeto que está sendo testado em um túnel de vento, tanque de provas ou piscina de fluxo é grande demais em relação à passagem que o contém. Trazendo esses estudos para a piscina e considerando uma raia com 3m de largura, a profundidade razoável para evitar o bloqueio seria de aproximadamente 2m.


3. AUMENTO DE ARRASTO DE ONDA
Quanto mais raso, mais arrasto de onda. Estudos indicam que o arrasto de onda passa a não afetar mais em águas com profundidade de 2m ou mais. 


“O ideal é que a piscina tenha largura e profundidade suficiente para que a atuação do nadador não seja influenciada por nada nem ninguém”, dizem Stager e Tanner. A gente assim em baixo!

 

REFERÊNCIA:
"Natação: manual de medicina e ciência do esporte", Editora MANOLE, 2008
Editado por Joel M. Stager e David A. Tanner, com tradução de Sonia Bidutte